quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

EMPRESA OBRIGADA A PAGAR INDENIZAÇÃO POR GERENTE CHAMAR GARÇOM DE LADRÃO, POBRE E INCOMPETENTE

EMPRESA OBRIGADA A PAGAR INDENIZAÇÃO POR GERENTE CHAMAR GARÇOM DE LADRÃO, POBRE E INCOMPETENTE
"Você não é gente, seu ladrão incompetente! Trabalha direito senão te mando embora por justa causa". Essas seriam algumas das ofensas feitas por um gerente da empresa R.R.Munhoz da Silva a um garçom, em Ribeirão Preto (SP). O trabalhador entrou na Justiça e pediu R$500 mil de indenização por danos morais.
O caso ocorreu durante os três anos em que o trabalhador ficou na empresa, e, de acordo com depoimentos apresentados na reclamação trabalhista, o gerente agredia os funcionários, inclusive com ofensas de conotação sexual. A Munhoz se defendeu alegando que não seria crível que o gerente tenha assediado mais de 40 empregados que trabalhavam na empresa.
Na sentença proferida pela 4ª Vara de Trabalho de Ribeirão Preto, a Munhoz, como empregadora, foi condenada a pagar indenização de R$30 mil ao garçom. Valor bem abaixo do que o trabalhador havia pedido. Em março de 2012, ele entrou com recurso contra a decisão da vara que, segundo ele, deixou de considerar a gravidade dos danos para determinar o valor.
A Munhoz também reclamou do valor indenizatório, que considerou alto, em recurso para o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas). Todavia, o Regional manteve o valor.
No agravo para o TST, sob a relatoria da ministra da Oitava Turma, ministra Dora Maria da Costa, a Munhoz também não conseguiu reduzir o valor de indenização. Segundo a relatora, para se concluir que o valor da indenização é desarrazoado e desproporcional, seria necessário o reexame de fatos e provas, o que é vedado a esta Corte, nos termos da Súmula nº 126 do TST.
 (Ricardo Reis/AR)

A INTERRUPÇÃO DA GRAVIDEZ ACIMA E ABAIXO DO EQUADOR - DIRETO DO MÉXICO.

A INTERRUPÇÃO DA GRAVIDEZ ACIMA E ABAIXO DO EQUADOR

A tendência dos países desenvolvidos é de aprovar leis de interrupção da gravidez permissivas. Em quatro países da América Latina ainda é proibido

O acesso à interrupção voluntária da gravidez também é um equador que divide o planeta.
Mais de 60% da população mundial vive em países onde o aborto é permitido diversos motivos —se incluem as razões sociais ou econômicas, por exemplo — ou onde é um direito da mulher durante as primeiras semanas de gestação.
 
Europa, Austrália, Estados Unidos... isto é, a maioria dos países desenvolvidos situados no hemisfério Norte — salvo exceções — são guiados por este modelo. No outro lado da balança, e também no outro extremo do Equador —porque são Estados que se concentram no hemisfério Sul—, cerca do 40% da população mundial vive em países com enquadramentos normativos restritivos, onde o aborto é totalmente proibido ou permitido por razões restritas, como para salvar a vida da mulher.
 
É o caso da maior parte de África, América Latina, Oriente Médio ou o Ásia meridional, segundo a radiografia do acesso a esta prestação sanitária elaborada pela ONU em 2013.
 
A Espanha, com a nova Lei Orgânica de Proteção da Vida do Feto e da Mulher Grávida, sairá da lista de países onde o aborto é um direito da mulher para se situar junto aos que só permitem esta intervenção por razões médicas. Situação de países como a Bolívia, Malásia, Polônia e Israel.
 
A nova Lei Orgânica apresentada pelo ministro de Justiça Alberto Ruiz-Gallardón — que depois de ser aprovada pelo Conselho de Ministros deve passar agora por vários relatórios e trâmites parlamentares — permite o aborto só em caso de violação (até a 12ª semana de gestação) ou risco grave para a saúde física ou psicológica da mulher (até a 22ª); um risco que inclui também o prejuízo para a saúde mental depois do diagnóstico de uma patologia fetal incompatível com a vida.
 
A nível mundial, e com algumas exceções, os Estados foram liberando seus enquadramentos normativos sobre acesso ao aborto desde meados do século XX. A Espanha regride, aponta Viviana Waisman, presidenta da organização internacional Women's Link Worlwide, que trabalha em temas de direitos humanos e justiça com perspectiva de gênero.
 
“A nova lei situa a Espanha no fim da fila da Europa, junto aos países com as piores leis de acesso. Mas é que o modelo eleito por Gallardón é inclusive mais restritivo que o que se segue em muitos países de América Latina, porque exige que o risco para a saúde da mulher seja grave; algo que não especificado, por exemplo, na Colômbia”, sustenta. “Ademais, o procedimento burocrático pode fazer com que o acesso real seja muito complicado”, segue.
 
Desde 1996 —depois da assinatura dois anos antes do Programa de Ação da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, no Cairo — vários países aprovaram leis para despenalizar a prestação da interrupção voluntária da gravidez. Fizeram para seguir as recomendações internacionais que lutam contra o aborto inseguro.
 
Segundo os estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS), as leis mais restritivas não conseguem resolver a questão das taxas de interrupções voluntárias da gravidez.
 
Só contribuem para aumentar a mortalidade por abortos inseguros. Segundo a OMS, cerca de 47.000 mulheres morreram em 2008 (último ano com estimativas gerais) no mundo em consequência de intervenções clandestinas ou pouco seguras.
 
Uma realidade que supõe um grave problema de saúde pública nas regiões da África Subsaariana e América Latina, segundo a radiografia da ONU.
 
Nos últimos anos, a situação nessa última região foi variando. Embora com matizes. A dicotomia é imensa. Em alguns lugares foram aprovadas leis com maior abertura. Em outros, mais restritivas.
 
Em quatro estados da região — Haiti, Guatemala, Suriname e Honduras — o aborto é permitido unicamente para salvar a vida da mulher, embora muitas vezes, apenas no papel e não na prática, e o acesso é complicadíssimo. No Chile, El Salvador, Nicarágua e República Dominicana a interrupção voluntária da gravidez é uma prática proibida.
 
Nestes países são muitos os nomes de mulheres perseguidas por interromper sua gravidez ou que tiveram que recorrer à justiça —quase sempre com escassos resultados — para defender seu direito à vida e à saúde.
 
A oposição a esta prática dos setores mais conservadores e da Igreja vem colidindo ao longo dos anos com as tímidas tentativas de legalizar. Apesar disto, se registraram algumas mudanças estruturais.
 
O Uruguai, por exemplo, legalizou o aborto durante as primeiras semanas de gestação; um modelo eleito também na Cidade do México (desde 2007). A Colômbia, aprovou há dois anos uma lei que permite a interrupção da gravidez em três casos (risco para a saúde da mulher, violação, ou anomalias fetais) e a Argentina aceitou em sua legislação a interrupção da gravidez em casos de violação.
 
O regresso de Michelle Bachelet à presidência de Chile, após ter dirigido a ONU Mulheres entre 2010 e 2013, poderia trazer mudanças a uma das legislações mais restritivas do planeta. “No programa de campanha Bachelet inclui a legalização do aborto em três causas: malformação do feto, violação e aborto por indicação médica”, explica por telefone Lidia Casas Becerra, professora da Facultade de Direito da Universidade Diego Portales, no Chile. “É clara a sua postura neste debate.
 
Seu papel vai ser muito importante, e as possibilidades parecem mais reais que nunca porque seu grupo tem maioria no legislativo”, segue.
No entanto, o processo poderia ser encontrado com a oposição do Tribunal Constitucional: “Se algum partido apresenta um recurso, como o pinochetista, seria mais complicado”. A professora explica que quando Bachelet tentou aprovar a pílula do dia seguinte, em seu mandato anterior, uma parte da oposição apelou ao Constitucional e conseguiu impedir sua aplicação.
 
No Chile, os movimentos sociais pedem uma regulação mais próxima às europeias, que respeite o direito da mulher por decidir sua maternidade. No entanto, a especialista reconhece que a proposta de Bachelet, que busca o consenso, se assemelha mais a um acordo de mínimos.
 
No Brasil, o aborto só é permitido em dois casos, protegidos por uma lei de 1940: quando a gravidez é produto de uma violação ou a vida da mulher está em perigo. No entanto, em 2012 uma decisão do Supremo criou jurisprudência ao permitir a interrupção da gravidez de fetos que sofram anencefalia.
 
Além disso, na atualidade, o Estatuto de Nascituro, um projeto de lei que se tramita no Congresso, pretende dotar às mulheres grávidas uma compensação financeira para tentar fazer com que elas desistam de abortar.
 
O código penal brasileiro estabelece de um a três anos de cadeia para aquelas mulheres que abortem fora dos causos permitidos.
 
Os regulamentos de El Salvador e Nicarágua, que endureceram o acesso ao aborto legal nas últimas décadas, representam a outra cara da tendência na América Latina.
 
No primeiro, o Parlamento proibiu, em 1997, o aborto terapêutico. Na Nicarágua, que até 2008 tinha uma das legislações mais avançadas do continente, o Governo do sandinista Daniel Ortega aprovou um novo Código Penal com duras condenações contra crianças e mulheres que interrompam voluntariamente sua gravidez sob qualquer razão.
 
Em outros países, como Equador, se segue uma batalha. A lei só permite o aborto legal em dois casos: em que a vida ou a saúde da mulher esteja em perigo, ou quando a gravidez seja produto de uma violação a uma mulher sem capacidade mental.
 
Do Jornal El País, no dia de hoje.
 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

O ERRO DA CONAB - PREJUÍZO DE 400 MILHÕES DE DÓLARES PARA CITRICULTORES NO BRASIL

Vejam o que faz a incompetência e do Governo Dilma, quando prejuízo aos citricultores no Brasil.

O erro que derrubou a cotação mundial do suco de laranja

Um cálculo superestimado da safra, feito pelo Governo brasileiro, causou um prejuízo de 400 milhões de dólares para o setor

 


Pomar de laranjas no Estado de São Paulo. / Citrus BR
O suco de laranja é uma commodity e como tal tem seu preço definido pela Bolsa de Valores. Entre os meses de maio e novembro deste ano, suas cotações na Bolsa de Nova York, a referência para o produto, caíram de 1500 dólares por tonelada de suco concentrado e congelado para 1200 dólares.
 
O motivo foi a previsão de safra de laranja divulgada em maio pela Conab, realizada em parceria com o Instituto de Economia Agrícola de São Paulo (IEA), que apontou uma produção de 340 milhões de caixas.
 
A expectativa de uma grande oferta em 2013, somada ao fato de que no ano de 2012 a produção tinha tão sido grande que os estoques brasileiros conseguiam sozinhos abastecer o mercado mundial durante 35 semanas, reduziu as possibilidades de negociação dos produtores e processadores de suco brasileiros com os compradores internacionais – a União Europeia compra 70% do suco de laranja brasileiro.
 
“Na cabeça do comprador internacional a situação era: seus estoques estão altos, a demanda mundial está caindo por causa da concorrência com as bebidas energéticas e o chamado néctar e o governo brasileiro prevê mais uma grande safra. Ou seja, seu produto vale não tanto”, afirma Ibiapaba Netto, diretor-executivo da CitrusBR.
 
De acordo com ele, há um bom relacionamento entre o setor e o governo e a previsão equivocada foi ruim para os dois lados. “Sabemos que não foi algo intencional, mas é preciso ter mais cuidado”, diz ele.
 
A ‘mancada’ da Conab fica pior ainda se é levada em consideração a pauta de exportações brasileiras, que conta com uma fatia de 70% relacionada a commodities, ou seja, matérias-primas, como minério de ferro, soja e suco de laranja. Até novembro, o saldo da balança comercial pendia para o lado positivo por apenas 89 milhões de dólares.
 
Neste mês, a Conab revisou sua previsão, aproximando-a à que a CitrusBR mantinha desde o mês de maio, de 268 milhões de caixas.
 
Para José Augusto de Castro, presidente da Associação dos Exportadores do Brasil (AEB), em médio prazo, a falha deve desestimular o plantio, levando os produtores a buscar cultivos mais atraentes.
 
“É difícil imaginar que alguém queira investir um tostão na produção de laranja diante deste cenário”, afirmou.
 
E essa é uma tendência que já está em formação: dados da Conab indicam que, de junho de 2010 até dezembro de 2013, 38% dos citricultores haviam abandonado seus pomares.
 
De acordo com Marco Antonio dos Santos, presidente da Câmara Setorial de Citricultura do Ministério da Agricultura, o ministro da Agricultura, Antônio Eustáquio Andrade Ferreira, se encontrou com representantes da cadeia citrícola para discutir o levantamento de safra.
 
“Tivemos uma primeira reunião em que propusemos a possibilidade de um levantamento realizado por uma empresa privada, mas não conseguimos agendar uma segunda reunião”, disse ele.
 
A Conab, por sua vez, se defendeu por meio de uma extensa nota enviada ao EL PAÍS. Nela, diz que: “seus levantamentos mostram um retrato das condições de plantio no momento da coleta das informações".
Na sequência, a Conab afirma que as duas reduções subsequentes de expectativa de safra tiveram como causa “o clima, que impactou de maneira negativa as condições do plantio da laranja, e o aumento dos custos de produção”.
 
O que chamou atenção do setor é que a Conab costuma ser certeira em seus prognósticos, considerados referência para a área agrícola.
 
 Santos afirma que o mais incrível da superestimativa é que ela não respeitou o ciclo bianual da laranja, que é similar ao do café, em que num ano as árvores atingem níveis de produtividade maiores do que nos anos seguintes.
 
Extraído do Jornal "El País", edição brasileira de 23.12.2013.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

CASAMENTO COM ESTRANGEIROS PELA INTERNET - ASSUNTO DE ESTADO

CASAMENTOS COM ESTRANGEIROS PELA INTERNET TORNAM-SE ASSUNTO DE ESTADO

 

É assustador que pessoas (com maior frequência mulheres)  alimentem sonhos de fazer vida com pessoas (homens) de lugares distantes e paradisíacos (que só conhecem por vídeo, cinema, internet e TV).

Estas pessoas se jogam em verdadeiras aventuras. E não medem consequências. Tudo o que conhecem virtualmente, ganham formas concretas e palpáveis, em suas mentes.

Ainda bem que há ONG´s e órgãos estatais para salva-las dessa loucura, fruto desinformação e de uma deliberação impensada.

Aliás, amor e aventura não se afinam com informação e atos pensados.

O que impressiona é a vulnerabilidade da pessoa humana, nestas questões.

É tão grande (a vulnerabilidade) que o Estado é chamado para socorre-las em face das consequências de decisões íntimas que não dependeram de autorização, nem consentimento de ninguém. 

Aliás, são tantas as outras forma de vulnerabilidade humana!!! (as drogas, o álcool) 

Somos todos uns coitadinhos! Ai, ai, ai, se não tiver alguém que cuide de nós, vamos sofrer muito.

O mundo moderno não convive mais com pessoas sofrendo!!!  Ainda que sejam acometidas por aventuras ou loucuras.

José A. Pancotti

 
  

O Itamaraty alerta para o boom de matrimônios virtuais que derivam em fraudes e roubos, ou são motivados pela busca do visto para entrar no Brasil

 


Tatiane Fernandes recém-chegada do Egito. / M. MART
 
Tatiane Fernandes, de 29 anos, acabou de chegar do Egito graças a uma passagem que a Embaixada brasileira no Cairo precisou pagar para tirá-la do país. Após sete meses tentando namorar “em paz” com um egípcio que conheceu na Internet, Tatiane acabou dormindo em um carro, recusada pela família dele e sem uma moeda no bolso.
"Vendi tudo o que tinha em casa a preço de banana, abri mão de muitas coisas, deixei minhas duas filhas aqui por um relacionamento pela Internet, mas [a realidade] não é sempre o que parece. Fui roubada, ameaçada, dormi com ratos, cheguei a sofrer de depressão e tive um derrame que paralisou a metade do meu rosto. Amo meu marido, mas foi muito sofrimento".
 
Casos como o de Tatiane têm se multiplicado nos últimos anos por conta da popularização das redes sociais. O Itamaraty não tem dados sobre o fenômeno, mas alerta para o alto número de casos. Há países, como o Egito, onde sobram os relatos do tipo. "São tantos que nem se imagina. Só neste ano já ajudei 50 mulheres, ", relata Sandra Fadel, líder comunitária brasileira no Cairo. “Antes da revolução contra o presidente Morsi havia ainda mais”, completa.
 
O Ministério das Relações Exteriores e a Polícia Federal alertavam, conjuntamente, nos seus sites sobre a tendência após receberem “numerosas queixas de cidadãs brasileiras vítimas de roubos, fraudes e violência cometidos por cônjuges estrangeiros que conheceram pela internet e com os quais tiveram pouco ou nenhum convívio presencial antes do casamento". Mesmo assim, os grupos nas redes sociais onde brasileiras procuram marido do outro lado do mundo são atualizados diariamente.
 
Pelos relatos que chegaram ao Itamaraty, já foi identificado o caso mais comum. A vítima, na casa dos 40 anos, é de classe média e média-baixa, e já teve um casamento anterior. Elas iniciam relacionamentos com homens da Ásia, Oriente Médio e inclusive da África com os quais se casam, por procuração ou presencialmente.
A vítima mais comum, na casa dos 40 anos, é de classe média e média-baixa, e já teve um casamento anterior
"Destes relacionamentos podem surgir dois problemas: um é o do estrangeiro pleiteando o visto para vir para o Brasil, e em alguns casos ele entra no país e nunca mais dá notícias à mulher, e o outro é quando ela vai para o país estrangeiro e acaba tendo graves problemas de adaptação, violência ou até fraude", explica Marcelo Ferraz, assessor da Divisão de Assistência Consular do Itamaraty.
 
A maioria das histórias de amor nasce do mesmo jeito: por meio do tradutor do Google. O que começa como um bate-papo rapidamente torna-se um romance, principalmente quando se refere aos homens da cultura islâmica. “Eles te pedem em casamento no segundo dia", conta Tatiane, que mora em Taubaté, no interior de São Paulo, uma cidade de 280.000 mil habitantes.
 
Fadel, voluntária do Cairo, reconhece que essa proposta é sedutora para o public feminino. "Elas se encantam quando eles falam de compromisso, quando escutam essa promessa de proteção... É como um sonho de princesa. Só que, depois, se revela apenas como uma forma de controle", conta Fadel. "A última menina que ajudamos veio até aqui sem falar uma palavra de inglês –comunicava-se com o namorado pelo tradutor da internet e por gestos- e com 500 dólares, quando a diária em qualquer hotel vagabundo não é menos de 50 dólares. ", lembra. “ Ela pensou que a família dele daria hospedagem, mas na cultura islâmica isso é uma vergonha. É preciso ter um mínimo de noção para iniciar uma aventura assim”, recomenda.
 
Tatiane chegou ao Cairo ainda com menos dinheiro que isso, convencida a realizar seu sonho de viver conforme o Islamismo, religião a que se converteu dois anos atrás. Antes de conhecer a quem chama de marido, já havia se relacionado vritualmente com o irmão dele. O romance acabou depois que o pretendente ficou noivo de outra, e abandonou as conversas intermináveis pelo Skype. Foi aí que Islam, atual namorado da Tatiane, entrou em cena. Após dois anos de bate-papos noturnos -"havia noites que ficávamos sem dormir", conta ela - começaram a falar de planos para o futuro.
 
Não me arrependo, mas gostaria de que mulheres pensem antes de fazer o que eu fiz.
"Resolvi ir para lá conhecê-lo, tentar, ver se podia dar certo. Tinha uma passagem para permanecer um mês. Ou voltava em seguida ou ficava definitivamente", conta Tatiane, que se veste com véu e frequenta a mesquita de Taubaté, junto com a filha mais velha.
 
A recepção da família de Islam, cujos pais já faleceram, não foi precisamente uma festa de boas-vindas. "Quando cheguei, o irmão, com quem eu me relacionei, tinha mostrado para todo mundo fotos e vídeos íntimos dos nossos encontros virtuais. Foi um drama, meu marido apanhou muito dos seus irmãos. Eu fui ameaçada com fotos de mulheres queimadas com ácido", lembra.
 
Por conta desse primeiro episódio, Tatiane foi agredida pelo seu namorado pela “primeira e última vez”, assegura. "Ele não é como o resto, ele tem se comportado muito bem comigo e cuidado de mim", afirma.
 
Mas, na primeira semana, Tatiane foi expulsa das casas dos parentes do namorado e proibida de se encontrar com ele.
 
"Também roubaram a prata que eu levei, dinheiro, minha lingerie, roupas, os documentos que eu arrumei aqui para me casar no religioso, quebraram meu computador... Pedi socorro à embaixada quando já não tinha nada e havia uma semana que dormia num carro".
Enquanto contava sua história, o celular de Tatiane não parava de tocar, com mensagens vindas do país do Nilo, perguntando onde ela estava. “Não sei o que eu farei, não sei se eu vou voltar, não me arrependo de ter ido, mas dou esta entrevista para que outras mulheres pensem antes de fazer o que eu fiz”.
 
Extraído do Jornal "El País", edição brasileira de hoje.
 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

CONTO DE NATAL, por Luiz Ruffato


                                                          CONTO DE NATAL
 
Mire la lluvia!, ¡Mire la lluvia!, a voz trêmula abafada pelos motores dos carros, pelo alarido dos transeuntes um pinheiro caminha apressado em direção a um ônibus, suor escorrendo no rosto, ¡Mire la lluvia!, ¡Mire la lluvia!, a mão esquerda esgrime um enorme guarda-chuva preto, Made in China, outros espalhados sobre a banca, resguardada do sol do início de tarde pela marquise de uma loja de discos, ¡Señora!, ¡Señora!, ¡Mire!, ¡Mire!
 
Dezembro espreguiça-se nos parabrisas dos irritados automóveis parados no semáforo, bufam buzinas aceleradas, nuvens carregadas ameaçam as luzinhas que enfeitiçam a véspera de Natal.
 
A indiazinha – sem sutiã, os pequenos seios furam a malha fina; negros, os cabelos alastram-se pelo púbis, pelos sovacos, pelas pernas – às vezes incomodava-se com a algazarra, sentia-se sufocada pela gasolina queimada, humilhada com os olhares opacos que a tornavam invisível, com a sua falta de sorte, ¡Basta de konanearme!
 
Pensava até em abandonar aquele tabuleiro mambembe, perder os pés pela cidade, observar as vitrinas, a decoração das lojas, toda aquela gente esbaforida, estos non son mujeres, ni hombres, sino animales, animales, ¿comprendes?, ¡Mire!, ¡Mire!, o corpo se contrai com as lembranças recentes, catorze, dezesseis horas tocando uma máquina-de-costura industrial nos fundos de um galpão no Bom Retiro, pernas anestesiadas, cabeça leve, prestes a desmaiar, como no soroche, a coreana andando de lá para cá bate palmas, ameaça, grita, Pálí!, Pálí!, não entendia uma palavra, mas conhecia de cor aquela expressão que se nutre de desprezo, sí, ¡animales!, silêncio, nada de olhares vizinhos, nada de cicios, nada de nada, ¡Nada!, berram os ponguitos amontoados pelos cantos, envolvidos em ponchos e retalhos.
 
Sem os documentos, retidos pelo patrão, ¡Quisiri!, seguiu o rapaz, boa-praça que conhecera comprando camisas para revender no centro da cidade, as araras abarrotando a kombi amarela, ele falou em serviço decente, e insinuou, quem sabe, mais para a frente, se tudo der certo, poderia, por que não?, mas, primeiro, o estoque de guarda-chuvas, que adquirira apostando nas águas de verão, e, diacho!, atrasavam-se, há quatro dias a liberdade das ruas, uma única peça negociada, a velhinha, olhos azuis, por simpatia, ou pena, levara el paraguas, tentou puxar assunto, agradecida, mas não conseguia falar português, entendia mal e mal... ¡Senõr!, ¡Señor!, ¡Mire!, ¡Mire!
 
De repente, gotas espelhadas coloriram o asfalto quente, e as pessoas buscaram refúgio, um terno-e-gravata aproximou-se e, sem discutir o preço, carregou um guarda-chuva, e vieram outros e outras, uma moça vestindo um tailleur preto, sapatos de salto alto, uma barba ruiva, duas garotas piercing-e-tatuagem, suas mãos encheram-se de notas, novas e amarrotadas, quebradiças e rasgadas, e seu corpo andino abriu-se num sorriso largo, sua pele de bronze arrepiou-se na umidade, vontade de molhar a cabeça na água que desabava do céu de chumbo, !Waca!, e então, ao voltar-se para o lado direito, percebeu, de cócoras, quase sob a bancada semivazia, um papai-noel, a roupa vermelha respingada, almoçando uma quentinha, pensamentos sobrenadando a enxurrada empoçada na boca-de-lobo entupida.
 
Que chuva!, disse, Que chuva!, repetiu. Ah, se chovesse assim na minha terra... Se chovesse... Os dentes branquíssimos sorveram o vento, Mi tierra... Mi tierra es nada ahora, falou, mastigando as já curtíssimas unhas pretas. O homem, envergonhado por não compreender, levantou-se, com dificuldade, e entrou no McDonald’s.
 
Ao retornar, após jogar a embalagem de alumínio no lixo e usar o banheiro para urinar e fazer um bochecho, a chuva havia cessado. Pôs o gorro, a placa Os melhores preços de importados da praça! Confira! abraçou-o, estacionado junto à faixa de pedestres. Antes de atravessar, buscou a moça e, simpático gritou, Feliz Natal pra você, menina, feliz Natal!
 
Ela, que arrumava os guarda-chuvas restantes, parou, acenou desajeitada e por um momento acompanhou o homem perder-se em meio à multidão.
 
Luiz Ruffato é escritor - Jorna El País.

domingo, 15 de dezembro de 2013

CORRUPÇÃO E IGREJA - PAPA QUESTIONA CONTAS DO BISPO DO CRATO, CEARÁ

CORRUPÇÃO E IGREJA - PAPA QUESTIONA CONTAS DO BISPO DO CRATO, CEARÁ

D. Fernando, de Crato, já foi convocado pelo Vaticano para dar explicações sobre acusação de irregularidades em venda de imóveis

15 de dezembro de 2013 | 2h 06
Jamil Chade, correspondente / Genebra - O Estado de S. Paulo
 
Um bispo no Brasil está na mira do papa Francisco, que vem marcando seu pontificado com a luta contra a corrupção, a reforma da Cúria e a exigência de posturas exemplares por parte dos religiosos. O bispo da diocese de Crato, d. Fernando Panico, de 67 anos, entrou no radar do chefe da Igreja em Roma depois de inquérito aberto pela Polícia Civil em sua cidade por causa de uma polêmica em torno da venda de casas da diocese e até por acusações de estelionato.
Papa incentiva a transparência das finanças do Vaticano  - Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão
Papa incentiva a transparência das finanças do Vaticano
Fontes no Vaticano confirmaram ao Estado que Francisco ainda não tomou uma decisão sobre o que será feito e espera a conclusão das investigações da Justiça. Mas Jorge Bergoglio não gostou do caso.
O número de acusações contra d. Fernando Panico não é pequeno. Mas, acima de tudo, fontes no Vaticano revelam que é justamente a atuação de uma diocese como negociadora de imóveis que desagradou ao papa.
As investigações foram abertas depois que o bispo foi acusado de ter continuado a cobrar aluguéis das casas de prioridade da diocese, mesmo depois de elas terem sido vendidas. Outra acusação era de que a venda dos imóveis ocorreu sem que os moradores tivessem a opção de compra. O bispo acabou sendo convocado para depor.
O caso chegou até Roma e, em outubro, Panico esteve reunido em duas ocasiões com o papa no Vaticano. Oficialmente, as audiências tinham como meta debater o processo de reabilitação canônica do padre Cícero (1844-1934) e sobre o processo de beatificação de Benigna Cardoso da Silva, mártir da castidade (1928-1941).
Mas um dos temas centrais da conversa foi justamente a cobrança do papa para que Panico desse explicações sobre as denúncias de estelionato e formação de quadrilha. Um primeiro encontro ocorreu com outros participantes, no dia 9 de outubro. Cinco dias depois, o bispo voltou a ser convocado, desta vez para uma audiência a portas fechadas.
D. Fernando, um italiano naturalizado brasileiro, ordenou-se padre em 1971, em Roma. Chegou ao Brasil em 1974 e está à frente da diocese do Crato desde maio de 2001.
Exemplos. Francisco deixou claro que não iria tolerar esse tipo de escândalo e tem coletado uma série de casos que, em sua avaliação, poderiam prejudicar a imagem da Igreja. Há um mês, o Vaticano suspendeu um bispo alemão por seus gastos considerados excessivos. O punido foi o bispo de Limburg, Franz-Peter Tebartz-van Elst, depois que gastou € 31 milhões (R$ 93 milhões) para renovar sua residência oficial.
O papa, desde o primeiro dia de seu mandato, havia deixado claro que queria uma "Igreja pobre para os pobres" e que a função dos religiosos era servir. Elst acabou se transformando em um primeiro teste para o argentino. O caso ainda revela que o pontífice está disposto a punir esse tipo de comportamento, enquanto dá demonstrações de que não vai perseguir bispos por declarações sobre a doutrina.
Em pouco meses, Francisco deu diversas demonstrações de que seu estilo é o de recusar a ostentação e ordenou ao clero que siga o mesmo caminho da simplicidade. Ele criticou os carros usados por padres, optou por não viver no Palácio Apostólico e condenou gastos elevados. Além disso, instaurou regras de transparência das finanças do Vaticano e ordenou uma varredura geral nas contas da Santa Sé.

sábado, 14 de dezembro de 2013

SELEÇÃO ALEMÃ - CONSTRUIU EXCLUSIVO CENTRO ESPORTIVO NO BRASIL - EL PAÍS

Alemanha constrói no Brasil um centro esportivo exclusivo para sua seleção

A “Mannschaft” manda construir um complexo hoteleiro para concentrar-se durante a Copa

 




O futuro complexo 'Campo Bahia'. / DFB (EFE)
 
Os alemães são precavidos, têm uma grande disposição para planejar eventos com meses e anos de antecipação e, quase nunca, deixam algo a esmo. Esta imagem da perfeição germânica voltou a ficar em evidência nesta sexta-feira, quando o popular e influente jornal BILD revelou aos seus dez milhões de leitores que a seleção alemã de futebol, uma das favoritas para se coroar por quarta vez como campeã mundial de futebol, despreza a grande oferta hoteleira do Brasil e escolheu morar em um campo esportivo próprio.
A ideia de construir o campo exclusivo nasceu depois que um enviado especial da Federação Alemã de Futebol (DFB) inspecionasse centenas de hotéis indicados pela FIFA. A oferta, pelo que parece, não impressionou os executivos da DFB, e nem o treinador da seleção, que buscou o apoio da empresa privada para dar vida ao “Campo Bahia”, um exclusivo e luxuoso centro esportivo onde a seleção alemã e a equipe técnica poderão desfrutar do luxo de um hotel de cinco estrelas, privacidade, isolamento e a proximidade do mar.
Mais importante ainda, o campo, que já está sendo construído na localidade de Santo André, no estado de Bahia, está localizado a apenas 30 quilômetros de um aeroporto, desde onde a Mannschaft poderá voar, sem ter que percorrer grandes distâncias, para as cidades de Recife, Salvador e Fortaleza, onde deverá jogar suas três primeiras partidas contra as seleções dos Estados Unidos, Portugal e Gana.
Campo Bahia contará com 14 casas de dois andares, piscina, um restaurante, instalações esportivas e a seleção poderá ser treinada em um campo de futebol que será construído a um quilômetro de distância. Nesse local também se construirá o centro de imprensa. “Durante a Copa de 2010 na África do Sul vimos que a proximidade das instalações, entre as casas da equipe, o campo e o centro de imprensa foi algo muito importante para todo mundo; os jogadores, os técnicos e os jornalistas”, disse Oliver Bierhoff, o manager da seleção, em um comunicado publicado no site da DFB. "Devido ao tamanho do país e para tentar minimizar o cansaço dos deslocamentos, a adaptação dos jogadores ao clima e para a sua recuperação, esta localização oferece as condições ideais”, acrescentou.
O “Campo Bahia” encontra-se atualmente em construção e está previsto que os trabalhos sejam finalizados no mês de abril de 2014. A área de 15.000 metros quadrados contará com 14 casas e um total de 65 quartos. As casas, segundo o projeto, formarão um anel ao redor do complexo central do campo que contará com uma cozinha aberta, uma piscina e dependências para conferências e academia.

STF (RCL): SUSPENSÃO DE AÇÕES CIVIS PÚBLICAS TRABALHISTAS - CASO ETERNIT

Notícias STF Imprimir Sexta-feira, 13 de dezembro de 2013 
    
Liminar suspende processos na Justiça do Trabalho por alegação de descumprimento à decisão do STF
 

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao examinar a Reclamação (RCL) 16637, decidiu suspender, em caráter cautelar, duas ações civis públicas que tramitam na Justiça do Trabalho de São Paulo (SP) contra a Eternit. As ações, ajuizadas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea), pedem indenização por danos que teriam sido causados a empregados de uma de suas unidades em razão da exposição ao amianto.

O ministro determinou, também, a suspensão da eficácia das decisões já emanadas nos autos até o julgamento final da reclamação no STF.

Na RCL, a empresa sustenta que, ao admitir as ações, a juíza da 9ª Vara do Trabalho de São Paulo estaria transgredindo decisão do STF no Recurso Extraordinário (RE) 542231, também de relatoria do ministro Celso de Mello, que teria definido que a competência da Justiça estadual para julgar ações sobre eventuais danos à saúde dos trabalhadores naquela unidade da empresa.

A Eternit alega, ainda, ofensa à coisa julgada, pois ação semelhante proposta foi considerada improcedentes pela Justiça de São Paulo e já transitou em julgado. Segundo a empresa, apesar de a ação anterior ter sido proposta pelo Ministério Público estadual e uma das atuais pelo MPT, o ministério público, estadual e federal, de acordo com a Constituição, é uma única instituição, regida pelos princípios da unidade e indivisibilidade.
 
Ao deferir a liminar, o ministro observou que os elementos trazidos na reclamação parecem evidenciar o desrespeito à decisão no julgamento do RE 542231, revelando-se suficientes para justificar o acolhimento do pedido de suspensão cautelar das ações. Lembrou, ainda, da importância do instituto da res judicata (coisa julgada) no sistema jurídico brasileiro, pois constitui atributo específico da jurisdição e tipifica os efeitos da sentença de duas formas, pela imutabilidade e pela coercibilidade.
 
Segundo o relator, os atributos que caracterizam a coisa julgada em sentido material, especialmente a imutabilidade dos efeitos inerentes à sentença, têm proteção constitucional com o objetivo de preservar a inalterabilidade dos pronunciamentos dos juízes e tribunais, criando, situação de certeza, de estabilidade e de segurança para as relações jurídicas.
 
“Mostra-se tão intensa a intangibilidade da coisa julgada, considerada a própria disciplina constitucional que a rege, que nem mesmo lei posterior – que haja alterado (ou, até mesmo, revogado) prescrições normativas que tenham sido aplicadas, jurisdicionalmente, na resolução do litígio – tem o poder de afetar ou de desconstituir a autoridade da coisa julgada”, argumentou.

Caso

A primeira ação civil pública sobre o assunto foi ajuizada em 2004 pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), sob a alegação de que a empresa seria responsável por submeter seus empregados a condições de trabalho prejudiciais à saúde (exposição ao amianto crisotila). Entre outros pedidos, O MP-SP requeria a condenação da Eternit ao pagamento de indenizações por danos patrimoniais e morais aos trabalhadores

Condenada em primeira instância, a empresa recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que declinou da competência de julgar ação decorrente de relação de trabalho em razão da Emenda

Constitucional 45/2004. O TJ-SP considerou que a alteração no artigo 114 da Constituição, que conferiu à Justiça do Trabalho a atribuição de julgar ações de indenização por dano moral ou patrimonial decorrentes da relação de trabalho, impediria o prosseguimento da tramitação na Justiça Comum.

A Eternit interpôs, então, o recurso extraordinário ao STF sustentando que a Corte já firmara entendimento no sentido de que as ações em curso na Justiça comum, estadual ou federal, nas quais tivesse sido proferida sentença de mérito continuariam a tramitar sob a mesma jurisdição até o trânsito em julgado do processo e de sua execução judicial.

Ao julgar o RE 542231, o ministro Celso de Mello reconheceu a competência da Justiça comum e determinou a devolução dos autos ao Tribunal de Justiça de São Paulo, que deu provimento ao recurso da empresa e julgou a ação improcedente. De acordo com os autos, esta decisão da corte paulista transitou em julgado em 25/09/2013.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

OPERADOR DO GUINDASTE DO ITAQUERÃO ESTAVA SEM FOLGA HÁ 18 DIAS

 
 
OPERADOR DO GUINDASTE NO ITAQUERÃO ESTAVA SEM FOLGA HÁ 18 DIAS
 
O Ministério do Trabalho e Emprego informou nesta terça-feira (10) que José Valter Joaquim, operador do guindaste das obras da Arena Corinthians, em São Paulo, trabalhava há 18 dias seguidos, tendo cumprido horas extras diariamente nesse período. Joaquim operava o guindaste quando um acidente matou dois funcionários no final do mês passado.


Segundo o superintendente do ministério do Trabalho em São Paulo, Luiz Antonio Medeiros, o cumprimento das horas extras é permitido pela legislação, mas deveria ser limitado para evitar danos aos trabalhadores. “Devido à rapidez da obra, todo o dia aqui tem duas horas extras por dia. Estava conversando com a Odebrecht [construtora responsável pela obra] no sentido de limitar isso”, disse. Ele ressaltou que o trabalho por um período ininterrupto é legal.

O operador de guindaste é funcionário da Locar, empresa contratada pela Odebrecht para operar esse tipo de equipamento. A Locar ainda não se pronunciou sobre o caso. Em nota, a Odebrecht informou que, no período relatado pelo ministério, o operador do guindaste ficou, na maior parte do tempo, em área designada aguardando a liberação da peça para o içamento.

O Ministério do Trabalho fez nova vistoria nesta terça-feira no estádio do Corinthians, mais especificamente nos guindastes utilizados na obra. A equipe do ministério chegou ao local por volta das 9h30 e, até as 14h30, quatro guindastes haviam sido vistoriados. O balanço da inspeção será divulgado ao final do dia. A expectativa é que até o dia 16 todas as máquinas estejam liberadas, inclusive a grua quebrada, que ainda está no local.

O Itaquerão, como é conhecido, sediará a abertura da Copa do Mundo de 2014 e mais cinco jogos da competição, em junho do próximo ano. Antes do acidente, a previsão para finalização do estádio era dezembro deste ano. A entrega ficou para abril de 2014.


Ministério do Trabalho diz que operador de guindaste estava há 18 dias sem folga


iG São Paulo

Responsável por máquina que provocou acidente e morte de dois operários da Arena Corinthians trabalhou por mais de duas semanas seguidas

O Ministério do Trabalho esteve nesta terça-feira na Arena Corinthians, em Itaquera, e informou que o operário José Walter Joaquim, de 56 anos, responsável pela operação do guindaste que quebrou e matou dois operários no dia 27 de novembro completou 18 dias seguidos de trabalho sem folga no dia do fatalidade.


Segundo Luiz Antônio Medeiros, superintendente regional do Ministério do Trabalho, ainda não é possível dizer se havia um acordo para que Joaquim trabalhasse todos esses dias sem folga ou que há irregularidade nesta relação trabalhista, mas que é possível comprovar sua presença na obra nesses dias pelo relógio de ponto da obra. 

Procurada pelo iG, a Odebrecht não se pronunciou sobre o assunto até o fechamento desta nota às 13h. 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

FUNERAL DE MANDELA REUNE, EM VIAGEM FHC, SARNEY, COLLOR, LULA E DILMA -

MANDELA É REVOLUCIONÁRIO APÓS MORTE, EM SEU
FUNERAL DE MANDALA REUNE, EM VIAGEM FHC, SARNEY, COLLOR, LULA E DILVA
 
 

A presidente Dilma Rousseff embarcou nesta segunda-feira (09) para a África do Sul, onde deve acompanhar in loco o funeral do ex-presidente sulafricano Nelson Mandela, que morreu na última quinta-feira (05), vítima de complicações respiratórias. 
 
Acompanhada de quatro ex-presidentes brasileiros (Fernando Henrique Cardoso, Lula, Fernando Collor e José Sarney), o avião presidencial deixou a base aérea do aeroporto do Santos Dumont (RJ) no início desta tarde, e deve chegar no fim da noite em Johanneburgo, cidade que receberá o funeral de Mandela.
 
Pelo twitter, Dilma destacou a presença dos cinco ex-presidentes do País e disse que a companhia deles na comitiva é demonstração de que “não há divergências partidárias em assuntos de Estado no Brasil”. 
 
“Estou viajando acompanhada dos ex-presidentes Sarney, Collor, Fernando Henrique e Lula para acompanhar os funerais do grande líder Mandela. É uma honra poder reunir todos os ex-presidentes num objetivo comum. O Estado brasileiro se une para honrar Mandela, exemplo que guiará todos aqueles que lutam pela justiça social e pela paz. É uma demonstração de que as eventuais divergências no dia-a-dia não contaminam as posições do Estado Brasileiro”, disse a presidente em sua conta oficial no Twitter, onde é seguida por mais de 2 milhões de pessoas.
 
Segundo a imprensa internacional, mais de 90 chefes de Estado do mundo devem participar das solenidades de sepultamento de Mandela. Os rituais se darão no estádio FNB, em Johanneburgo, que é o mesmo estádio onde Nelson Mandela assistiu a Copa do Mundo, em 2010. 
 
Além de Dilma Rousseff e os ex-presidentes brasileiros, a presença dos presidentes Barack Obama (EUA), François Hollande (França), David Cameron (Reino Unido) e Raúl Castro (Cuba) também são aguardadas pelo cerimonial do governo da África do Sul. 
 
Críticas veladas 
Antes do embarque, a presidente Dilma participou no Rio de Janeiro de um seminário promovido pela Fundação Clinton Global Initiative (CGI), presidida pelo ex-presidente norte-americano, Bill Clinton, que esteve no evento sobre a integração e o futuro da América Latina.
 
Durante o evento, Dilma alfinetou seus antecessores sobres os problemas econômicos enfrentados pelo País nas décadas anteriores, numa crítica velada a Fernando Henrique Cardoso (PSDB): "Pagamos hoje o efeito de décadas de omissão", afirmou. "Até fins de 2012 experimentamos uma expansão de nossa economia depois de um longo período de estagnação. Diferente do passado essa expansão não se fez às custas da desigualdade social”, atirou.  
 
Segundo Dilma, é preciso colocar a integração e a busca de soluções conjuntas como uma meta para os países da região. "Por muitos e muitos anos o Brasil foi pensado como um País pequeno, voltado aos países desenvolvidos e para uma parcela pequena da população. Não foi pensado para todos, voltado para todos, e, no nosso caso, para os nossos vizinhos da América do Sul", afirmou a presidenta brasileira. 
 
O funeral de Nelson Mandela com a presença dos chefes de Estado de diversas partes do mundo deve ocorrer na manhã desta terça-feira (10). 
 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A ALEGRIA DO EVANGELHO, por Luiz Gonzaga Belluzzo

DO JORNAL "O VALOR"

 

A ALEGRIA DO EVANGELHO

Por Luiz Gonzaga Belluzzo
"Não nos é pedido que sejamos imaculados, mas que não cessemos de melhorar, vivamos o desejo profundo de progredir no caminho do Evangelho, e não deixemos cair os braços." (Evangelii Gaudium, Papa Francisco)
 
O papa Francisco ofereceu aos católicos e cristãos a Primeira Exortação Apostólica "Evangelii Gaudium".
 
Assim como as encíclicas Rerum Novarum de Leão XIII, Mater et Magistra e Pacem in Terris de João XXIII, a exortação apostólica de Francisco, um texto cuidadosamente construído, aborda as vicissitudes e alegrias da vida cristã no mundo contemporâneo.
 
A mídia lhe dedicou editoriais medíocres e comentários banais, como os da revista "The Economist". Nas profundezas de sua ignorância histórica e religiosa, a revista escava nas palavras do papa uma argumentação contra os males do capitalismo, o que abriria espaço para o avanço das perversidades dos sistemas sociais e econômicos totalitários.
 
Um Jesus Cristo sem carne e sem compromisso com o outro é a negação do cristianismo
 
Os olhares do nosso tempo perderam de vista a ideia de comunidade cristã, expressão tantas vezes repetida no texto do papa e incrustrada nas origens do cristianismo.
 
Jacques Le Goff diz com razão que no cristianismo primitivo e no judaísmo a eternidade não irrompia no tempo (abstrato) para "vencê-lo". A eternidade não é a "ausência do tempo", mas a dilatação do tempo ao infinito.
 
Depois da encarnação, a escatologia judaico-cristã sofre uma transmutação: o tempo adquire uma dimensão histórica.
 
 Cristo trouxe a certeza da eventualidade da salvação, mas cabe à história coletiva e individual realizar essa possibilidade oferecida aos homens pelo sacrifício da cruz e pela ressurreição.
 
"Não nos é pedido que sejamos imaculados, mas que não cessamos de melhorar, vivamos o desejo profundo de progredir no caminho do Evangelho, e não deixemos cair os braços".
 
Em um artigo sobre João XXIII, lamentei que homens e mulheres de hoje falam descuidadamente da herança judaico-cristã como se seus valores estivessem desde sempre incrustrados na nossa natureza, se é que temos uma.
 
O cristianismo - o mistério libertador da Encarnação - foi um divisor de águas na história da humanidade, um movimento revolucionário, nascido das crueldades e das sabedorias do mundo grego-romano.
 
Em uma entrevista sobre seu filme Satyricon, Fellini desvelou a alma que se escondia no rosto de seus personagens no crepúsculo do império romano. As máscaras se debatiam entre o tédio das concupiscências e as angustias da desesperança. Para o grande Federico, o filme escancarava "a nostalgia do Cristo que ainda não havia chegado".
 
Tal como nos personagens do Satyricon, percebo nos católicos de hoje a nostalgia do Cristo que não voltou. Mas, creia-me o leitor, ele já esteve entre nós encarnado na simplicidade e na sabedoria camponesa de João XXIII e parece ter retornado nos exemplos de Francisco.
 
No medievo, a Igreja transformou-se numa imponente hierarquia e os poderes do mundo material frequentemente atropelaram as palavras dos evangelhos.
 
Não vou aborrecer os leitores com relatos das crises que pontilharam a história da Igreja, eivada de cismas e heresias, dividida pela reforma, maculada pela inquisição, atormentada por Copérnico e Galileu.
 
João XXIII escreveu na Mater et Magistra: a Santa Igreja, apesar de ter como principal missão a de santificar as almas e de fazê-las participar dos bens da ordem sobrenatural, não deixa de preocupar-se ao mesmo tempo com as exigências da vida cotidiana dos homens, não só no que diz respeito ao sustento e às condições de vida, mas também no que se refere à prosperidade e à civilização em seus múltiplos aspectos, dentro do condicionalismo das várias épocas.
 
Francisco rejeita as formas de religiosidade que fazem recuar o espírito para os recônditos do individualismo, uma espécie de "consumismo do sagrado" que ignora os fundamentos comunitários do cristianismo.
 
"Mais do que o ateísmo, o desafio que hoje se nos apresenta é responder adequadamente à sede de Deus de muitas pessoas, para que não tenham de ir apagá-la com propostas alienantes ou com um Jesus Cristo sem carne e sem compromisso com o outro. Se não encontram na Igreja uma espiritualidade que os cure, liberte, encha de vida e de paz, ao mesmo tempo que os chame à comunhão solidária e à fecundidade missionária, acabarão enganados por propostas que não humanizam nem dão glória a Deus".
 
Um Jesus Cristo sem carne e sem compromisso com o outro é a negação do cristianismo.
 
No seu livro "Homens em tempos sombrios" Hannah Arendt dedicou um capítulo a João XXIII intitulado "Angelo Giuseppe Roncalli: Um cristão no trono de São Pedro de 1958 a 1963".
Nesse ensaio, Arendt entre outras narrativas a respeito de Angelo Roncalli, conta o depoimento colhido de uma camareira do hotel em que se hospedava em Roma: "Senhora", disse ela, "esse papa era um verdadeiro cristão. Como podia ser isso? E como aconteceu que um verdadeiro cristão se sentasse no trono de São Pedro? Ele primeiro não teve de ser indicado bispo e arcebispo, e cardeal, até finalmente ser eleito como papa? Ninguém tinha consciência do que ele era?"
 
Felizmente, ninguém percebeu.
 
Luiz Gonzaga Belluzzo, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda é professor titular do Instituto de Economia da Unicamp e escreve mensalmente às terças-feiras. Em 2001, foi incluído entre os 100 maiores economistas heterodoxos do século XX no Biographical Dictionary of Dissenting Economists.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

ELTOM JOHN NO BRASIL? HÁ 5 (CINCO) ANOS SERIA INIMAGINÁVEL!!!! CRISE - CRISE

ELTOM JOHN NO BRASIL? HÁ 5 (CINCO) ANOS SERIA INIMAGINÁVEL!!!! CRISE - CRISE
 
Jotabê Medeiros - O Estado de S.Paulo

Foi confirmada pelos promotores uma apresentação do cantor britânico Elton John em Goiânia em 2014. O show está previsto para o dia 21 de fevereiro no Estádio Serra Dourada (mesmo local que o ex-beatle Paul McCartney cantou para 40 mil pessoas, em maio), segundo informou a assessoria Palavra Comunicação.
Primeira apresentação será em Fortaleza - AP
AP
Primeira apresentação será em Fortaleza

Elton John lançou em setembro o disco The Diving Board, seu primeiro álbum de estúdio em 7 anos. Foi produzido por uma lenda da guitarra, o bluesman T-Bone Burnett, e tem 12 canções com letras de seu parceiro de longo tempo, Bernie Taupin.
Segundo os goianos, a turnê de Elton John começará em Fortaleza, e passará também por Rio de Janeiro e Salvador. Há exatamente um ano, o cantor passou pelo Brasil. Cantou no Jockey Club de São Paulo para cerca de 11 mil pessoas, apresentando a turnê 40th anniversary of the Rocket Man, com shows também em Porto Alegre, Brasília e Belo Horizonte.