Corte americana rejeita queixa de mulher demitida por ser bela
O Supremo Tribunal do Estado americano rejeitou a queixa de discriminação aberta por uma assistente de dentista que foi demitida, segundo seu ex-chefe, por colocar o casamento dele em perigo, mesmo sem seduzi-lo. A notícia é do jornal francês Le Monde.
Casada e com filhos, Melissa Nelson trabalhou durante dez anos no consultório de James Knight. No último ano, o dentista começou a criticar as roupas da assistente, que, acentuando as formas de seu corpo, o desconcentravam. Ele também chegou a retratar sua relação com a assistente como "ter um Lamborghini na garagem, sem jamais te-lo conduzido".
Até que um dia, a esposa de Knight, que também trabalhava no consultório, descobriu que seu marido enviara mensagens por celular a Melissa, que nunca deu abertura às investidas do chefe. O fato causou uma crise no casamento do dentista, que após uma série de discussões com sua esposa e o pastor da igreja que frequentava, decidiu demitir a assistente porque ela desestabilizava seu matrimônio.
A corte, formada unicamente por homens, entendeu que a demissão não foi justa, mas não acolheu o argumento de discriminação. Segundo o advogado de James Knight, a decisão abre "precedente para que os empregadores demitam funcionários que procuram causar inveja em suas esposas".
Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-las a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.
Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo, nem culpa de sentir prazer.
Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida, a nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor.
Tempo de entusiasmo e coragem em que todo o desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso.
Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa.
O juiz de Monte Aprazível (SP) era Plínio Gomes Barbosa quando chegou à comarca um jovem promotor, formado havia pouco tempo. - Doutor juiz, devo requerer de pé ou sentado? – perguntou-lhe o jovem, cheio de cerimônia, logo na primeira audiência. - Você se formou onde, meu filho? - O MEC fechou a minha faculdade, doutor... - Então requeira de cócoras.
SABER ESCREVER É OUTRA COISA !!! Num momento de descontração, Carlos Drumond de Andrade escreveu : "Satânico é meu pensamento a teu respeito e ardente é o meu desejo de apertar-te em minhas mãos, numa sede de vingança incontestável pelo que me fizeste ontem. A noite era quente e calma e eu estava em minha cama, quando, sorrateiramente, te aproximaste. Encostaste o teu corpo sem roupa no meu corpo nu, sem o mínimo pudor! Percebendo minha aparente indiferença, aconchegaste-te a mim e mordeste-me sem escrúpulos. Até nos mais íntimos lugares. ... Adormeci.
Hoje quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente, mas em vão. Deixaste em meu corpo e no lençol provas irrefutáveis do que entre nós ocorreu durante a noite. Esta noite recolho-me mais cedo, para na mesma cama te esperar... Quando chegares, quero te agarrar com avidez e força. Quero te apertar com todas as forças de minhas mãos. Só descansarei quando vir sair o sangue quente do seu corpo... Só assim, livrar-me-ei de ti... Pernilongo Filho da puta"...
O amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga ideia de paraiso que nos persegue, bonita e breve, como borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não doi.
"(...) O segredo é não correr atrás das borboletas… É cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar, não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!”
Acabou? É melhor que você sofra agora, do que esperar dias, meses, ou até mesmo anos pra se livrar de um sentimento que vai acabar com você, dia a dia.
Histórias de amor são como borboletas: você consegue ver, pode até tocar, mas se você tentar guardar uma pra você ela simplesmente morre. Tem que saber admirar de longe
INDEFERIR TESTEMUNHA POR FALTA DE DOCUMENTO É CERCEAMENTO DE DEFESA
(Seg, 10 Dez 2012, 17h25)
A empresa alagoana R W Teixeira de Omena – Supermercado São Paulo conseguiu demonstrar à Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que teve a defesa cerceada na ação movida contra ela por um empregado que alegava ter sido dispensado sem justa causa. O motivo foi o fato de o juiz de primeiro grau ter indeferido a oitiva de uma testemunha da empresa que não portava documento de identificação civil. No entendimento do magistrado, o documento era necessário para identificação da prova oral na ata de instrução do processo.
Insatisfeita, a empresa recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região (AL), sustentando que a testemunha poderia esclarecer sobre a verdade dos fatos, uma vez que o empregado afirmava que havia sido despedido sem justa causa, enquanto que, na versão da empresa, ele estava apenas afastado para apuração de falta grave. Assim, pediu o retorno dos autos à vara do trabalho para a reabertura da instrução processual e novo julgamento. O Tribunal Regional negou provimento ao recurso e manteve a sentença.
Jurisprudência
Em recurso ao TST, a empresa insistiu na alegação de cerceamento de defesa, "o que por certo atentou contra o princípio constitucional da ampla defesa", alegou. Ao examinar o recurso na Primeira Turma, o relator ministro Hugo Carlos Scheuermann informou que a jurisprudência do TST tem se firmado no sentido de que "a exigência da apresentação de documento de identificação civil para que a testemunha possa ser ouvida acarreta cerceamento de defesa, na medida em que inexiste preceito de lei a amparar tal obrigação".
Segundo o relator, o artigo 828, caput, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) determina que as informações que qualificam a testemunha devem ser apresentadas por ela mesma. Não se pode inferir dessa lei que "a testemunha deva apresentar documento oficial de identificação para que essas informações sejam colhidas pelo serventuário ou pelo Juiz", esclareceu.
Assim, o relator deu provimento ao recurso para determinar o retorno do processo à vara do trabalho para que reabra a instrução processual, a fim de que seja ouvida a testemunha apresentada pela empresa. Seu voto foi seguido por unanimidade.
Há duas formas para viver a sua vida: Uma é acreditar que não existe milagre. A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.
Fernando Pessoa..........................................................................................
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas ... Que já têm a forma do nosso corpo ... E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares ...Fernando Pessoa
......................................................... É o tempo da travessia ... E se não ousarmos fazê-la ... Teremos ficado ... para sempre ... À margem de nós mesmos...
Acabo de ler "O Cancioneiro de Petrarca", com tradução, introdução e notas de Jamil Almansur Haddad.
Descubro que os grandes poetas portugueses: Francisco Sá Miranda, Antonio Ferreira, Luiz de Camões que tanto nos encatam, abeberam-se em Francesco Petrarca, poeta italiano que viveu na transição da Idade Média para o Renascimento.
Sá Mirando foi à Itália e conviveu com Petrarca e com ele aprendeu a teorizar sobre o amor e cantá-lo em versos. Petrarca, segundo Jamil, deixou não apenas o legado da forma lírica de cantar o amor - o soneto -, mas transmitiu-nos o seu conteúdo e essencia, deu-lhe espírito, uma concepção filosófica do amor, como ideal feminino. Foi capaz de divinizar a mulher e conciliar o ético e o erótico, o sagrado e o profano.
Teófilo Braga, ensina que o lirismo chegara a Portugal, como irradiação da doce península itálica. A poesia lírica portuguesa é rebento das entranhas da Itália, é leite mamado nos seus peitos divinos. Glória, pois, à Itália jovem e eterna, mas de doçura, deus prolífica, manancial inexauto da inefável poesia cujos acentos de dor e acalanto ela fez estremecer Portugal em poetas que a princípio se chamara Sá Miranda, Antonio Ferreira e Luiz de Camões. Na verdade, irradiou-se por todos os rincões onde se fala a língua de Don Diniz.
Assim, por via transversas, sem Petrarca não teríamos Camões, nem Bernardo Guimarães, nem Vinicius, nem Drumond
Petrarca, teve por musa Laura. Loura, de face cor de neve, de cabelos cacheados, olhos claros, rosto oval e muito bonito. Só que a conheceu casada. Os poetas românticos tinham paixões inatingíves. Na Idade Média, essas paixões direcionavam-se às mulheres casadas. Não se sabe se conviveu com Laura. Não se sabe se foi amor platônico ou carnal. A verdade é que a amou por vinte anos e depois que ela morre, sofreu por esse amor, mais vinte anos. Daí, toda a sua inspiração e a construção da teoriazação do amor, como sofrimento. É dessa época em diante que a poesia se ocupa do amor frustrado, não do amor realizado ou da felicidade no amor. Se ocupa até hoje (inclusive em letras de músicas populares) do amor que causa dor, sofrimento e tristeza e até a morte.
Veja este poema acerca da morte de Laura, como se ela pudesse reaparecer:
Peço a compreensão das amigas politicamente corretas e a contribuição das cínicas inveteradas, como eu.
Desculpem, gostaria de ser
uma doce setentona convencida de que a velhice é um estado de espírito
mas a vida me prova o contrário.
Para não ficar uma velha “sem noção”
acho bom ler e levar a sério, principalmente as coisas abaixo que parecem mais desagradáveis.
1- Aceite a velhice,
recuse metáforas. Terceira idade, melhor idade é p*#@**q*#@*#riu!!!.
Ser velha não é crime, é apenas constrangedor
2- Viva com
inteligência o tempo de vida útil que lhe resta. Viva a sua vida, não a
dos seus filhos, netos e/ou marido . Tenha seus próprios interesses e
projetos.
3- Coma menos, beba menos e fale menos. Velhas magras, sóbrias e contemplativas são menos doentes e chatas.
4- Poupe seus
familiares e amigos ( para aquelas que ainda tem alguns ) de conversas
sobre o passado, doenças e dinheiro. Estes assuntos devem ser tratados,
só e somente só, com seu psicoterapeuta.
5- Não aborreça
ninguém com os relatórios das suas viagens. As viagens de velhas são
interessantes só pra elas mesmas. Aprenda a ser concisa, comente apenas
o destino e a duração da viagem. Se por algum milagre, alguém perguntar
mais alguma coisa, procure responder com monossílabos.
6- Escolha um bom
médico. Ele sim, vai ser seu pai, irmão, marido e amigo querido. Não se
automedique. Não há nada mais irritante do que velha metida a
curandeira.
7- Não arrisque
cirurgias plásticas rejuvenescedoras. A chance de ficar mais feia é
altíssima e a de ficar mais jovem é baixíssima.
8- Use seu dinheiro
com critério. Gaste em coisas importantes e evite economizar demais.
Para que deixar herança para noras e genros que mal lhe aturam ou
sobrinhos e netos que mal lhe conhecem?
9- Velhice não nos
dá o direito de ser mal educadas. Nada de falar de boca cheia, emitir
sons e odores indesejáveis, cutucar dentes, etc. Atenção redobrada
Casca grossa só piora depois de senil.
10-Faça uma guerra sem
descanso aos farelos que insistem em se alojar nos cantos da sua boca
(nos velhos, eles preferem o queixo). Você notou que tem sempre um filho
de plantão passando um guardanapo na boca das mães velhas?!!
11-Só masque chiclete na ausência de testemunhas. Não corra o risco de acharem que você já está ruminando ou falando sozinha.
12- Pense muitas vezes antes de se
aposentar. Trabalhar tem muitas vantagens, além do dinheiro. A principal
delas é para sua família: são seus colegas de trabalho que vão ter que
lhe aguentar a maior parte do tempo.
13- Cuidado com a nostalgia e o
otimismo. Velhas tristes são chatíssimas. Velhas alegres demais,são
também chatíssimas. Fora de época, é você. Não tenha certeza de que vai
ser uma companhia agradável em acampamentos, raves e shows de rock. Um
ataque cardíaco pode acabar com a festa de todo mundo.
14- Se for mística, esotérica ou
engajada na juventude, controle-se. As pessoas lhe aguentavam no
passado, agora, suas pregações são torturas.
15- Leia muito. Ainda há tempo para
gostar de aprender. Velhice pode trazer experiência, não sabedoria. Ter
um livro sempre à mão também serve para o caso de sua surdez não
permitir acompanhar a conversa. Todos vão adorar não ter que repetir aos
gritos alguma conversa.
16-Tenha o máximo de cuidado com a higiene. Velha fedida é duro de aguentar. Ah, cheirando a perfume francês vencido, também.
17- Não acredite nas colegas
otimistas que dizem que não tem nada demais em usar minissaias, fio
dental, figurinos sadomasoquistas ou decotes provocantes. Tem sim, eles
provocam atentado à estética e risos , também.
18- Cuidado com a maquiagem. Já
notou que velhas vão ficando parecidas com velhos e ambos com travestis?
Maquiagem pesada só serve para reforçar a personagem.
19- Seja avó do seus netos, não mãe
ou babá. Por isso nem pense em educá-los ou em comprometer seu tempo
com as tarefas chatas de ir buscar na escola, festinhas, natação,
inglês, etc mil vezes. . Não tenha remorso, por mais que você se esforce
nunca vai conseguir agradar todo mundo.
20- Se alguém perguntar como vão
seus netos, não precisa contar tuuuuuuuudo! Evite discorrer sobre sua
(deles, óbvio!!) inteligência excepcional, beleza rara, fantásticas
habilidades esportivas e genialidade com a tecnologia. Lamento informar
que todos os netos são iguais
21- Não seja uma sogra chata,
gratuitamente. Só se tiver um bom motivo. Lembre-se de como era a sua (
ou as suas) e passe a limpo.
Agora que você já sacou que não tem
como mudar seu marido, cuidado para não apontar as armas para as noras e
genros. Falar mal deles é deplorável. Se tiver genro, dê sempre razão a
ele, se sua filha for um pé no saco. ...
22- Nunca, nunca, nunca mesmo, visite seus filhos sem que seja convidada.
24- Cuidado ao atender o telefone.
Se responder “Estou levando a vida como Deus quer”, quando lhe
perguntarem “Como vai”, isto pode provocar um problema irreversível na
sua linha telefônica, ela pode ficar muda por semanas. Você vai ver que
as ligações dos amigos e filhos vão rarear, cada vez mais. E se quiser
que a linha dê um “tilt” para sempre, pode responder aos seus filhos com
a simpática frase: “Ah, lembrou que tem mãe?”.
Esta lista pode ser usada como teste (mulheres adoram testes) para saber seu grau de “sem-noçãozice”. Ela pode ser usada também como corrente. Mande para 10 mulheres de sua idade. Mas cuidado
porque velha decrépita é alvo fácil até para corrente imbecil.
Em um belo filme sobre a condição humana, um velho descobre-se diante de um dilema que dirá quem ele é e como ama. A escolha que o desafia é também a que nos provoca a cada dia de nossa vida
ELIANE BRUM - Revista Época
Na primeira vez em que assisti à E se vivêssemos todos juntos?, pensei, ao sair do cinema com os olhos mareados e a alma apertada no corpo como uma calça jeans dois números menor: queria tanto escrever sobre esse filme, mas o melhor que posso escrever é só um verbo, conjugado no imperativo, seguido de um ponto de exclamação: “Assistam!”. E escrevi exatamente isso no twitter. Em geral, é o melhor que podemos dizer sobre os filmes de que gostamos, assim como “leiam!” para os livros que nos tornaram outros depois da última página. Mas continuei desassossegada e vi o filme uma segunda vez. Percebi que precisava escrever um pouco mais.
E se vivêssemos todos juntos? (Stéphane Robelin – França/Alemanha) é um filme sobre os últimos anos de quem, graças ao aumento da expectativa de vida, passou dos 70 e poucos. Como disse Jeanne, a personagem de Jane Fonda, ao seguir a ambulância que carregava seu marido para o hospital depois de uma queda: “A gente planeja tudo, mas nunca pensa no que fazer nos últimos anos da vida”. É disso que se trata. O filme fala de algo que precisamos falar mais: sobre envelhecer neste mundo, nesta época. Precisamos falar mais porque a maioria de nós vai viver esse momento. Não é fácil vivê-lo – é uma sorte vivê-lo.
Começamos a nos preparar, como invoca Jeanne, quando nos arriscamos a pensar sobre aquilo que nos inquieta ou inquietará – ou inquieta ou inquietará aqueles que amamos. O cinema já descobriu essa necessidade e, só neste ano, chegaram ao Brasil pelo menos dois filmes que falam explicitamente sobre envelhecer: O exótico Hotel Marigold (John Madden, Reino Unido), que poderia ser bem melhor do que é, e “E se vivêssemos todos juntos?”.
Neste, um grupo de velhos decide viver na mesma casa para enfrentar aquilo que os inquieta – e seguidamente os ameaça. A iniciativa é de um deles, Jean (Guy Bedos), um homem que passou a vida engajado em causas coletivas contra as injustiças sofridas pelos mais fracos. Impedido de seguir para a próxima missão em algum país pobre e distante, porque o seguro se recusa a cobrir gente da sua idade, ele aos poucos descobre que tem uma causa bem perto dele pela qual lutar, que é também uma causa de desamparo.
E se vivêssemos todos juntos? não é um filme para velhos – mas para todos que se interessam pela condição humana. No roteiro, aliás, aqueles que aparecem no lugar de “filhos”, ora perplexos, às vezes distantes, em outras arrogantes na sua certeza sobre o que é melhor para os pais – perdidos sempre – parecem precisar muito assistir a um filme como este.
O filme, que já é muito, muito bonito mesmo, fica ainda melhor com a interpretação impecável de grandes atores, todos eles velhos e, portanto, mais experientes do que nunca. Todos menos um: o único jovem protagonista é o ótimo Daniel Brühl, por quem nos apaixonamos em “Adeus, Lenin”, e que tem no enredo um lugar muito particular. Ele é um estrangeiro não só por ser um alemão na França, mas por ser um jovem em território de velhos: estrangeiro porque só estranhando é possível enxergar. Vale a pena alertar ainda que, ao contrário do que anuncia a classificação, “E se vivêssemos todos juntos?” não é uma comédia.
Como já escrevi aqui, eu não chamo velhos de idosos nem velhice de terceira idade ou – argh – melhor idade. Assisti ao filme pela primeira vez na companhia de parte de um grupo de amigos com os quais tenho um pacto desde os 30 e poucos anos: ao envelhecer, moraremos todos juntos em um condomínio que um de nós já batizou, ironicamente, de “O Ocaso Feliz”. Já acertamos mais ou menos a arquitetura, na qual cada casa terá entradas independentes e fundos para um espaço coletivo, de maneira que, se quisermos ficar sozinhos, basta simplesmente passar a chave na porta dos fundos e botar uma placa de “não perturbe”. Mas não conseguimos nos acertar sobre qual cidade – pequena, perto de uma grande – escolheremos para nossos últimos anos. Ao deixar a sala de cinema, tomamos um espumante antes de nos separarmos. Na segunda vez, assisti ao filme com o homem que eu amo e em quem pretendo abotoar casacos de lã na velhice. Quero muito um velho companheiro com casacos de lã abotoados. E espero viver para isso. Quando o filme terminou, choramos abraçados.)
Feita essa antessala, preciso dizer o seguinte: se você não viu o filme e pretende vê-lo, pare por aqui. Embora o que quero dizer use o filme apenas como ponto de partida, não é possível escrever sem contar bastante sobre ele, mais do que qualquer comentário educado permitiria. Há quem não se importe. Pessoalmente, acho que é sempre (muito) melhor ir ao cinema no escuro. Se quiser, volte ao texto depois – e, como estímulo a uma visita à tela grande, coloco o trailer aqui.
Para quem continua comigo: entre as tantas possibilidades de reflexão propostas por esse filme, há uma que me comove mais. Ela fala de memória – e de algo muito importante: memória não é apenas lembrar, é também esquecer.
No filme, Albert (Pierre Richard) luta contra a perda da memória. Ele não sabe se já levou o cachorro para passear ou não. “Se eu não o tivesse levado, ele estaria reclamando, não?”, indaga-se.
Para lembrar os acontecimentos recentes, que o cérebro já não registra, Albert usa a palavra escrita. Escreve um diário sentado na poltrona do apartamento que divide com a mulher, estrategicamente postado ao lado de uma janela que dá para os fundos de uma escola infantil. É com um olho no caderno e o outro na janela, na qual espera, com evidente alegria, as crianças saírem para brincar, que ele relata o sabor do vinho que tomou com os amigos, o cardápio do jantar e aquilo que precisa lembrar quando já tiver esquecido no dia seguinte. O diário, a narrativa da vida pela palavra escrita, é o fio que orienta Albert pelos labirintos de um cotidiano no qual o cérebro falha em lembrar do ontem e até mesmo de alguns minutos antes.
A velhice, para Albert, se manifesta primeiro por esses lapsos de memória. Mas logo ele terá de lidar com um dilema mais profundo: o que lembrar, o que esquecer. Sua mulher, Jeanne (Jane Fonda), de quem já falamos lá no início, teve câncer. No começo do filme, testemunhamos quando ela abre os exames na cozinha e descobre que a doença segue com ela e que não terá muito mais tempo de vida. Quanto tempo, nem ela nem ninguém pode saber.
Jeanne toma uma decisão ao rasgar os exames e enfiar os pedaços na lata de lixo. Escolhe, por amor, não contar a Albert da sua condição. Diz a ele que está curada. Quer viver seus últimos dias, semanas, meses sem que ele seja assombrado por sua morte. Sente-se assim menos assombrada por ela – e mais livre para planejar seu enterro, por exemplo, mais livre para escolher o pouco que pode escolher
Mas, num dia em que Albert está sozinho em casa, o médico bate na porta à procura de Jeanne, que tinha se recusado a fazer a cirurgia proposta e sumido do consultório. Albert descobre naquele momento: 1) que a mulher vai morrer de câncer; 2) que ela decidiu não compartilhar essa informação com ele. É isso que ele registra em seu diário. E mais um pouco: “É um direito dela (viver sem lhe contar que em breve morrerá de câncer)”. No dia seguinte, enquanto espia ansioso pela janela se as crianças já estão vindo para o recreio, ele lê esse trecho no diário e tem um sobressalto.
Mais adiante, Albert e Jeanne já estão vivendo em comunidade quando ele abre – por engano? – o baú que pertence ao seu amigo Claude (Claude Rich). Já não há mais uma janela por onde espiar crianças brincando, mas há outras paisagens humanas e sentimentais. Albert sente-se desterrado, agora não apenas de sua memória, mas também de sua geografia física, na nova casa. Mas o que relembra todos os dias ao ler o diário faz com que compreenda que é preciso encontrar outros parceiros para encerrar a vida. Não os desconhecidos de um asilo de velhos, mas amigos de uma vida inteira. Gente capaz de reconhecer a geografia que é ele.
Claude é um fotógrafo solteirão e sedutor, o número ímpar da pequena comunidade. E Albert lê cartas destinadas a Claude, nas quais descobre que tanto Annie (Geraldine Chaplin) quanto Jeanne tiveram tórridos casos extraconjugais com o melhor amigo, 40 anos atrás. Albert registra sua descoberta na carta ininterrupta que escreve para si mesmo. E, ao reler o diário a cada manhã, relembra a traição que pode colocar em risco o delicado equilíbrio daquela comunidade construída sobre afeto, solidariedade e a necessidade de unir forças contra um mundo hostil à velhice.
Albert depara-se com uma questão muito mais profunda do que os esquecimentos involuntários causados pela velhice. Ele precisa agora enfrentar a memória como escolha. A cada manhã, ele sobressalta-se primeiro com a notícia de que a mulher tem um câncer que a levará à morte próxima. Em seguida, com a descoberta de que ela o traiu com o melhor amigo 40 anos atrás. O que fazer agora que a velhice lhe deu a possibilidade de escolher o que lembrar e o que esquecer?
A escolha de Albert é um ato completo de amor. Ele decide sofrer a cada dia – e dia após dia – o impacto da notícia de que Jeanne tem um câncer e que vai morrer em breve. Apesar de ser talvez a notícia mais brutal de uma existência inteira, é a forma que ele encontra de estar com ela, de não deixá-la sozinha nesse momento, de viver essa dor junto com a mulher que ama, mesmo que ela nunca saiba disso. Escolher lembrar quando podia simplesmente esquecer é a forma que Albert encontra de amar Jeanne mais e melhor – até o fim.
Se escolhe lembrar a doença e a morte de Jeanne, Albert escolhe esquecer a traição de Jeanne. Depois de dar muitas voltas na casa e em si mesmo, ele rasga a página do diário na qual relata a descoberta, a amassa e a guarda no bolso. Antes, porém, conta a Jean que ele também tinha sido traído pela própria mulher e pelo melhor amigo. Assim, Albert lega a Jean uma memória que o amigo pode superar, mas não esquecer. Albert pode ter feito isso tanto por sentimento de lealdade quanto pelo sentimento de vingança, na medida em que o temperamento explosivo de Jean é bem conhecido. Ou ainda por acreditar que Jean tem o direito de decidir por si mesmo como quer lidar com essa memória. Mas ele, Albert, escolhe esquecer. E este, ainda que de uma forma mais tortuosa, é um ato de amor tanto pela mulher quanto pelo amigo.
Viver, não apenas para os velhos, é uma constante escolha entre o que lembrar e o que esquecer. Ainda que para isso a maioria de nós tenha de travar um embate feroz com seus fantasmas antes de conseguir arrancar uma página espinhosa. Alguns envenenam a própria vida ao fixar-se numa lembrança mais letal que cianureto, condenando-se a um eterno presente congelado, o que é um tipo de morte. E outros perdem essa mesma vida ao transformá-la na fuga incessante de algo que só poderão esquecer se primeiro tiverem lembrado e enfrentado como lembrança.
Ainda que nossas escolhas em torno da memória sejam não mais difíceis do que a de Albert, mas seguramente mais demoradas, nossa existência é determinada por elas. Tanto na esfera pessoal quanto na pública. É uma escolha na esfera pública a decisão de o que fazer com a memória que está em jogo na Comissão Nacional da Verdade, por exemplo, ao apurar os crimes da ditadura. E nesta, em minha opinião, é preciso lembrar – com todas as consequências implicadas nesse gesto – para que o país possa seguir adiante.
Assim como é uma escolha na esfera pessoal o lugar e o tamanho que cada um dá a uma determinada experiência nos muitos mal entendidos entre pais e filhos. É por preferir seguir lembrando uma ausência, uma humilhação ou um equívoco, dia após dia como se fosse o primeiro, em vez de lidar, transformar em marca e então esquecer – ou pelo menos dar à experiência um lugar e um tamanho mais compatíveis com o movimento da vida – que muitos chegam ao amanhã apenas no calendário, mas morrem com as unhas cravadas no ontem
Como nos mostra Albert, escolher o que lembrar e o que esquecer é também um ato de amor. E nunca é um ato fácil, como não é fácil o amor.
É também um ato de amor a magistral cena final desse filme. E esta eu não vou contar mesmo para quem já viu. Nela, Albert faz, mais uma vez, uma escolha profunda em torno da memória. E são os amigos que provam saber amar ao não apenas acolherem, mas embarcarem na sua escolha. Fazem isso porque compreendem que a vida contém proporções talvez equivalentes de realidade e de delírio, mesmo quando a gente finge não saber disso. E que amar é, às vezes, lembrar de esquecer. Eliane Brum escreve às segundas-feiras.
Nascer e aprender freneticamente a dar sentido à vida. Viver namorando o imaginário, o intangível, a esperança, buscando o tal sentido da vida. Envelhecer descobrindo que este sentido é individual e intransferível e, curioso, ainda tentar imaginar qual será o sentido da vida do outro. Como será? Nossa, que dúvida atroz! Afinal, descobrir perto da morte que perdeu muitos passos bons ou ruins, não importa, ao tentar racionalizar o que não tem sentido. O verbo é perder. Perder-se na vida, perder-se de amor, em paz, e só.
Célio Ferreira Facó
Funes o Memorioso é o conto de Jorge Luís Borges para provar que o esquecimento é tão necessário quanto a memória. Memória infalível seria um flagelo insuportável. Lúcida análise de Eliane Brum.
Homem Selvagem
Eu quero a morte matada, morte danada, morte estrangulado, mas não espero terminar os dias ao lado de ninguém, pois bastou nisso o começo da vida de todos. Nem no outro mundo por mais afeiçoado que tiver sido na terra gostaria necessariamente de encontrar as pessoas já conhecidas.
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"BORBOLETAS" DE MÁRIO QUINTANA, caminhos para a liberdade
Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de se decepcionar é grande.
As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as delas.
Temos que nos bastar… nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.
As pessoas não se precisam, elas se completam… não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.
Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente a gostar de quem gosta de você.
O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!